Cuiabá, 21 de Julho de 2017

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31 de março: golpe contra Jango completa 52 anos

Por: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil

Brasília - Após o último discurso de João Goulart como presidente na noite do dia 30 de março de 1964, tropas militares e apoiadores civis começaram a se movimentar para sua derrubada. Nas primeiras horas do dia 31 de março, o golpe de Estado começou efetivamente com a saída de tropas de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, ainda sede do governo federal. Enquanto os insatisfeitos com o governo avançavam (para o que chamariam de "revolução"), Jango tentava articular a resistência junto a militares legalistas e sociedade civil. Confira as principais movimentações daquele dia:

Cronologia do Golpe 

Em Minas Gerais, o general Olímpio Mourão Filho, comandante do IV Exército decidiu entrar em ação e escreveu no diário dele:“Acendi o cachimbo e pensei: não estou sentindo nada e, no entanto, dentro de poucas horas, deflagrarei um movimento que poderá ser vencido, porque sai de madrugada e terá que parar no meio do caminho”. Entre 3h e 4h, começou a movimentação das tropas  em direção ao Rio de Janeiro. Mourão fez uma nova anotação. “Eu estava de pijama e roupão de seda vermelho. Posso dizer com orgulho de originalidade: creio ter sido o único homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolução de pijama”.
Mourão telefonou para o deputado Armando Falcão para informar sobre o movimento das tropas, que por sua vez telefona para o general Castelo Branco e avisa que as tropas já estavam na estrada União-Indústria, ligação entre Juiz de Fora e Petrópolis. Castelo ligou, então, para o irmão do comandante do II Exército e pediu para avisar o general Amaury Kruel que, sem ele, a movimentação “não passaria de uma aventura”. O recado chegou ao quartel-general do II Exército em São Paulo, mas Kruel se mantinha fiel a Goulart.
No Rio de Janeiro, o general Antonio Carlos Muricy recebeu a senha de Mourão para se dirigir a Juiz de Fora: “começou a brincadeira”. Avisado sobre a situação, Castelo Branco determinou que o general Antônio Carlos Muricy, em seu próprio automóvel, fosse ao encontro de Mourão e assumisse o comando das tropas. Muricy rumou para Minas no seu Rural Willys, enquanto Castelo  ao telefone tentava conter a marcha dos mineiros. Castelo Branco vai para o Ministério da Guerra e fala com o general Guedes, alegando que “não foi possível fazer nenhuma articulação” no Rio de Janeiro: "A solução é vocês voltarem, porque senão serão massacrados".
O contra-almirante John Chew, vice-diretor de operações navais dos EUA, ordenava ao comandante em chefe da Esquadra do Atlântico o deslocamento de um porta-aviões à frente de uma força-tarefa para a “área oceânica na vizinhanças de Santos, Brasil” 
ango convocou o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Peri Bevilacqua ao Palácio. Bevilacqua apresentou a Jango um documento que expressava a opinião dos chefes dos Estados-Maiores do Exército e da Aeronáutica. O general garantiu que ainda era possível reestabelecer a confiança entre o Presidente da República e as Forças Armadas: uma declaração formal de se opor à deflagração de greves políticas, anunciadas pelo principal sindicato da época, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), ligado a Goulart.
Goulart telefonou para o presidente do CGT Clodsmidt Riani e pediu aos sindicalistas que evitassem a decretação de greves. “Presidente, o senhor vai me desculpar, mas o que pode manter um governo agora é só o povo na rua. Nós vamos decretar a greve e está decidido", respondeu o líder sindical.
No final da tarde, Juscelino Kubitschek divulgou uma nota afirmando que “a legalidade está onde estão a disciplina e a hierarquia”. Depois, foi conversar com o presidente no Palácio das Laranjeiras. Para evitar o golpe, o ex-presidente propôs a Jango uma solução política: nomear um novo ministério, de caráter conservador, punir os marinheiros e lançar um manifesto de repúdio ao comunismo. Jango não concordou. "Eu não posso fazer isso. Se fizer isso, dou uma demonstração de medo e um homem que tem medo não pode governar o país”, teria dito o presidente.
Jango distribuiu aos repórteres um texto intitulado “Comunicado do Presidente da República”. A nota informava que o ministério da Guerra já havia enviado tropas do I Exército para acabar com a rebelião. O general Jair Dantas Ribeiro, que estava no Hospital se recuperando de uma cirurgia, reassumiu o ministério da Guerra. Fez contatos com o comandante do I Exército, general Armando de Moraes Âncora. A seguir, distribuiu uma nota aos comendantes dos quatro Exércitos declarando que a ordem seria reestabelecida a qualquer preço. Um avião T6 da FAB jogou os dois tipos de panfletos sobre Juiz de Fora.
O Regimento Sampaio,  I Regimento de Infantaria comandado pelo coronel Raymundo Ferreira de Souza, aproximava-se do que poderiam ser as linhas de combate. Ao chegar em Três Rios (RJ), o comandante do regimento, coronel Raymundo Ferreira de Souza, recebeu um telefonema do marechal Odílio Denys, de quem fora assistente, e mudou de lado:“Eu e toda minha tropa nos solidarizamos com o movimento revolucionário”. Mourão estava em Três Rios. Denys deslocou-se para o Vale do Paraíba onde manteve contatos para obter a adesão das tropas legalistas.
O comandante do II Exército em São Paulo, general Amauri Kruel pediu ao presidente que rompesse com a esquerda. Queria a demissão de Abelardo Jurema do ministério da Justiça e de Darcy Ribeiro da chefia do gabinete Civil e colocasse o CGT na ilegalidade. Jango negou o pedido. "Se essas são as suas condições, eu não as examino. Prefiro ficar com as minhas origens. O senhor que fique com as suas convicções. Ponha as tropas na rua e traia abertamente”. Em um novo contato telefônico, Kruel insiste na proposta mas Jango mantém a negativa.
Kruel ordenou o deslocamento das tropas do II Exército e da Força Pública de São Paulo para o Vale do Paraíba no caminho para a Guanabara e divulgou manifesto em que diz ser preciso "salvar a pátria em perigo". O governador Ildo Meneghetti, refugiado em uma cidade do interior, ordenou, com sucesso, que a Brigada Militar apoiasse a revolta.
No comando do IV Exército, o general Justino Alves Bastos, tomou posição ao lado dos golpistas e ordenou a prisão do governador de Pernambuco Miguel Arraes. O governador ainda fez um discurso por meio de um rádio de dentro do Palácio das Princesas, enquanto negociava com os apoiadores do golpe.
No Porto de Recife, o início de uma greve foi reprimida pela Marinha. Gregório Bezerra incentivou uma revolta camponesa no sul do Estado. Preso, foi arrastado pelas ruas de Recife em um carro do Exército. Ele contou sobre o episódio em entrevista gravada. O registro foi recuperado e digitalizado pelo Armazém Memória.

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